CASO CLÍNICO | Tratamento para Fratura Patológica de Corpo Vertebral

Estabilização e cimentação da coluna com sistema especial


O caso que trago aqui é interessante não apenas do ponto de vista médico e relacionado a patologia em si, como em relação ao sistema integrado para a resolução do quadro, que compreende: instrumental e implante moderno e resolutivo, que permite importante melhora nos resultados desse tipo de patologia.


O paciente apresentava suspeita de hemangioma “gigante”, onde, na coluna, assemelha-se a um “novelo” de vasos sanguíneos e é conhecido como lesão paratumoral. Os hemangiomas são benignos, mas nos exames de imagem sua formação pode levar à confusão com lesões mais graves, como câncer tumores malignos.


Salvo em casos excepcionais, a maioria das vezes é possível tratar apenas com o acompanhamento periódico da lesão.


Na cuidadosa investigação que eu e minha equipe fizemos para chegarmos ao correto diagnóstico, identificamos que, devido ao tamanho do “novelo” e ao fato dele ocupar grande parte do corpo vertebral, fragilizou a estrutura óssea e levou à consequente fratura patológica, com microfraturas no corpo vertebral e a acunhamento (achatamento) progressivo da vértebra acometida. Estas informações foram confirmadas nos exames clínicos e de imagem (raio-x, ressonância e cintilografia óssea) e causavam muita dor.


Na análise do quadro, penso na preocupação do paciente, em descobrir que possui tal alteração que lhe causa tanto sofrimento e interrompe sua rotina. Ao mesmo tempo em que é um alívio saber o que acontece e, sobretudo, ter condições de buscar ajuda qualificada.


Cirurgia para a remoção da lesão


Optamos, então, por realizar uma intervenção cirúrgica e começamos com uma biópsia percutânea, realizada através de pequeno furo (2mm), para análise do material no momento de sua retirada, por patologista que nos acompanhava. O diagnóstico confirmou nossas suspeitas de lesão benigna e não neoplasia, o que permitiu continuarmos a estratégia para tratamento do hemangioma “gigante”, que incluiu, neste caso, a utilização do sistema de estabilização e cimentação tipo spine jack.


Nas duas primeiras imagens, você observa o arcabouço de titânio e as ferramentas mínimas necessárias para a introdução do mesmo, e os vídeos ilustram o procedimento.




O arcabouço de titânio é colocado bilateralmente através dos pedículos, ou seja, dois pequenos furos de mais ou menos 3mm de diâmetro (sendo um o mesmo por onde realizamos a biópsia) onde é realizada rotação com distração do sistema de titânio, que ganha, gradativamente, espaço e aumenta a altura do corpo vertebral. Esta intervenção permite reconstruir a anatomia normal, além de fornecer estabilidade severa por ser um arcabouço de titânio.


O segundo vídeo mostra a injeção de cimento ósseo para ocupar o espaço que antes estava preenchido pelo hemangioma que retiramos. Diferentemente de cola ou argamassa, o cimento ósseo, neste caso, trata-se de uma substância que após secagem sofre rápida expansão e ocupa os espaços vazios, para devolver a rigidez e estabilidade ao corpo vertebral acometido.


No dia seguinte ao procedimento, o paciente já recebeu alta hospitalar sem apresentar qualquer sintoma e sem queixas relacionadas à patologia. Em cerca de 30 dias de pós-operatório, já poderá retornar às atividades físicas e esportivas.


Gosto sempre de trazer as novidades da minha área, pois contribuem de forma brilhante para a solução de casos graves e permitem, cada vez mais, curas e retorno precoce à qualidade de vida e atividades habituais.


Agradeço ao paciente pela confiança no meu trabalho e à minha equipe, altamente qualificada, que me apoia nas mais inusitadas situações.


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Abraços,

Dr. André Evaristo Marcondes

Atendimento presencial e à distância

São Paulo, 02 de abril de 2021