CASO CLÍNICO | Rizotomia Cervical

Compartilho hoje um caso muito interessante, onde mesmo quando as coisas não acontecem de forma "perfeita", ainda existe possibilidade de melhora e solução dos problemas apresentados.



Esse paciente foi submetido a Artroplastia Cervical em dois níveis, devido a hérnia de disco extrusa com compressão medular, sendo necessária retirada do disco doente e da hérnia que causava compressão da medula, onde o espaço discal foi preenchido por esse implante chamado Artroplastia Cervical de Terceira Geração, que consiste em um verdadeiro disco artificial e substitui de maneira anatômica o disco doente previamente retirado, trazendo rápido alívio dos sintomas agudos do paciente e recuperação total dos efeitos relacionados à compressão da medula, permitindo inclusive retorno ao trabalho e às atividades profissionais habituais.


No entanto, a longo prazo, esse paciente passou a apresentar desconforto na região posterior do pescoço em decorrência de artrose facetária, ou seja, em decorrência de desgaste das articulações cervicais posteriores. Tal fato não se relaciona com a doença previamente operada, que era uma patologia do disco intervertebral; no entanto o novo acometimento no mesmo segmento, com desgaste dessas articulações, voltou a trazer desconforto para o paciente.


No entanto, conseguimos uma solução extremamente segura e pouco invasiva, onde inicialmente foi realizado uma infiltração com anestésico para confirmação do diagnóstico e confirmando assim que a dor apresentada era de origem das facetas articulares, sendo então realizado o procedimento conhecido como rizotomia.


Tal procedimento consiste na queimadura do ramo sensitivo da articulação, ou seja, na denervação do ramo sensitivo articular, deixando a articulação "dormente". Em outras palavras, foi realizado a eliminação do nervo que causava dor nessa articulação, permitindo alívio dos sintomas mesmo na presença de desgaste articular.


Esse procedimento é extremamente simples e seguro, sendo possível que o paciente receba alta no mesmo dia da internação. As imagens acima mostram o adequado posicionamento das agulhas responsáveis pela queimadura e denervação do ramo dorsal facetário.


Este é um bom exemplo de como um estudo detalhado de cada caso pode trazer soluções simples e efetivas mesmo diante de problemas complexos.


Gosto de trazer novidades de cases da minha área pois eles contribuem de forma enriquecedora para a solução de casos graves, troca de informações médicas e permitem, cada vez mais, a cura e o retorno precoce à qualidade de vida dos pacientes em suas atividades diárias.


Abraços,


Dr. André Evaristo Marcondes

Atendimento presencial e à distância

São Paulo, 15 de setembro de 2021