CASO CLÍNICO | Artroplastia cervical C4-C5-C6 com correção da lordose cervical

Este caso que compartilho é extremamente comum, mas complexo, de protusões (abaulamentos) ou hérnia de disco (explosão do disco com extravasamento do conteúdo discal e compressão medular), além de perda do equilíbrio sagital, ou seja, desequilíbrio da curvatura normal do pescoço acarretando inversão do ângulo de lordose cervical com consequente permanência da cabeça caída para frente. Gostaria de me acompanhar nesta leitura?


Entenda mais sobre este caso

Tanto a protusão como a hérnia de disco vão acarretar dor e compressão neurológica com suas múltiplas consequências, variando desde dor irradiada para os braços até perda de movimentos nos membros superiores, membros inferiores e alterações neurológicas graves como: perturbações gastrointestinais, perda de coordenação motora, tremor de extremidades e alteração grave de marcha conhecida como Marcha Miopática.


Doenças dessa gravidade possuem indicação absoluta de tratamento cirúrgico, não só para descompressão medular permitindo recuperação neurológica, como para reestruturação da lordose cervical normal (curvatura normal do pescoço que permite adequado posicionamento do mesmo sem sobrecarregar as articulações e a musculatura na região posterior da coluna).


Ações e resultado

De forma simplificada, existem três procedimentos padrões para esse tipo de abordagem, variando de uma microcirurgia posterior para descompressão apenas da compressão da raiz nervosa, hoje cada vez menos utilizada por maus resultados em relação ao controle da dor, à opção convencional de artrodese "fusão das vértebras" para resolução definitiva do problema com resultados extremamente satisfatórios do ponto de vista clínico, mas sabidamente sobrecarregando os segmentos adjacentes à cirurgia e com risco aumentado de necessidade de reabordagem cirúrgica no futuro e, finalmente, procedimentos mais modernos de artroplastia (prótese de disco) de terceira geração capazes de reconstruir a lordose segmentar normal, além de trazer novamente a anatomia adequada do segmento, pois não consistem "nada mais" do que a retirada da estrutura lesada e substituição por uma estrutura de igual funcionalidade.



Observe as imagens reais do caso

Nas figuras acima, vemos uma artroplastia terceira geração tipo M6-C, considerada um verdadeiro disco artificial por apresentar um ânulo fibroso (membrana fibrosa) externa e o núcleo pulposo (porção central do disco capaz de absorver impacto); além de ser visivelmente maior na porção anterior do que posterior do disco, permitindo assim abertura do espaço discal anterior e reconstrução da lordose cervical, consequentemente trazendo alinhamento lordótico e conduzindo a coluna cervical para o eixo normal.


Vale ressaltar que, no nível mais baixo (C5-C6), foi introduzido a prótese em região mais posterior do corpo, onde ela assume uma posição mais paralela por apresentar um disco com melhores características no pré-operatório; já no segmento superior (C4-C5), a artroplastia foi deixada em posição mais anterior, permitindo assim maior abertura da porção da frente em relação à porção de trás, reconstruindo assim a lordose e realinhando a cabeça para o plano normal. Ressalta-se assim que em procedimento com esse tipo de complexidade cada detalhe milimétrico, mesmo parecendo mínimo, é longamente pensado e programado visando a excelência biomecânica e funcional da pessoa operada.


Considerações finais

Paciente já com 90 dias de pós-operatório, sem colar cervical retornando as atividades físicas habituais, com retorno ao trabalho precoce em função relacionada a serviço de escritório e praticamente assintomático devendo ter resultado final após 6 meses do procedimento.


Agradeço a Deus pela capacidade técnica e a toda minha equipe pelo auxílio em procedimentos tão complexos como relatado neste caso clínico.


Expertise e tecnologia a serviço das suas necessidades.


Abraços,


Dr. André Evaristo Marcondes

Atendimento presencial e à distância

São Paulo, 15 de junho de 2022