Excesso de repouso pode ser o vilão das dores nas costas

Estima-se que o reforço muscular recupera cerca de 90% das lombalgias



Muitos são os mitos que envolvem o tratamento e os problemas relacionados à coluna vertebral. O repouso prolongado não deixa de ser um deles. Ele faz parte de uma das etapas do tratamento, no entanto, ficar muito tempo parado, e em longo prazo, leva ao enfraquecimento da musculatura paravertebral e isso pode causar novas dores e gerar outros problemas. De acordo com Dr. André Evaristo, especialista em cirurgia de coluna e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, o excesso de repouso, o sedentarismo, muito tempo no trânsito, estresse e funções diárias que colocam as pessoas em uma única posição por longos períodos são as principais causas de dores e problemas na coluna.


“Até mesmo dentro da própria medicina, por certo tempo, acreditou-se que o caminho para aliviar as dores causadas por essa rotina da vida moderna seria o uso de analgésicos combinado com o repouso prolongado. Hoje, já conseguimos entender que para muitos casos é necessária e indispensável a prática de atividades físicas regulares para uma recuperação ideal”, explica o médico.


Um exemplo disso são as dores nas costas causadas por tensão muscular. A partir do momento em que os músculos estão tensionados, a coluna fica vulnerável as lesões. “Se a pessoa pratica algum esporte, as chances desses músculos permanecerem tensionados são muito baixas, porque haverá a liberação da endorfina, um hormônio ligado à sensação de relaxamento. Esse hábito causará o alívio das dores e automaticamente a prevenção de lesões”, diz Evaristo.


Outra situação é o quanto a musculação pode ajudar na estabilidade articular, ou seja, na capacidade de se mover e estabilizar em diferentes fases do movimento. Nesse caso, o fortalecimento da musculatura além de resguardar a coluna, estimula a sua reconstrução, realinhamento, postura e perda de peso.


Até um estudo realizado em 12 países sobre a abordagem da lombalgia, publicado no último ano pela revista cientifica The Lancet, observa que a atividade física é ponto chave para o tratamento mais eficaz do problema. De acordo com os pesquisadores, as dores ocorrem quando os músculos, que dão apoio estrutural e flexibilidade à coluna, enfraquecem e geram tensão nos nervos e demais estruturas da região lombar. Estima-se que o reforço muscular recupera cerca de 90% das lombalgias. E a rotina de treinamento faz com as crises sejam mais espaçadas e, com o tempo, até mesmo desapareçam.


O especialista comenta ainda que há casos, inclusive pós-cirúrgicos em que o repouso prolongado não é a melhor opção para a melhora. Isso, segundo ele, também se deve a evolução tecnológica e de conhecimento dentro da área médica: “Atualmente, falando de casos bem específicos, é possível reconstruir uma coluna, com pinos e parafusos, de tal maneira que o paciente começa a se recuperar, tendo movimentação no dia seguinte. Isso também acontece em alguns tratamentos de tumores na coluna, em que nós estimulamos essa movimentação logo nos primeiros dias de melhora”, finaliza.