CASO CLÍNICO: Discopatia Grave na Coluna Lombar

Conheça as opções de tratamento quando a coluna apresenta estágio avançado da doença


Recentemente, atendi um paciente que apresentava grave discopatia na coluna lombar, que se estendia do segmento L3 a S1. A evolução da doença estava entre III-IV na classificação Pfirrmann, que indica perda leve da altura discal e coloração preta nos discos.


Na avaliação, descobrimos que essa condição, infelizmente, resultou em um quadro de estenose de canal lombar, que juntamente com a degeneração discal provocou compressão da medula e das raízes nervosas. Também foi evidenciado que a coluna da paciente apresentava listese em L3/L4, que é um escorregamento das vértebras. A vértebra fica instável e com mobilidade anormal, o que causa muita dor e alterações neurológicas.


No exame de eletroneuromiografia, que faz uma avaliação da função medular, confirmamos um dano grave aos nervos (radiculopatia) da coluna lombar, com indicação absoluta de tratamento cirúrgico para descompressão medular e estabilização.


Este é um daqueles casos interessantes, onde para termos um resultado satisfatório é necessário analisar cuidadosamente todos os componentes da doença, optando por procedimentos que realmente resolvam a patologia presente. Após todas as considerações, concordamos então com artrodese lombar de L3 a S1.


Você que me acompanha por aqui sabe que raramente uso essa indicação no dia a dia, pois considero que esse tipo de procedimento (artrodese - fusão entre as vértebras) requer uma abordagem mais agressiva que, sempre que posso, procuro evitar. No entanto, ressalto que quando a doença está muito avançada, a artrodese é a opção cirúrgica mais adequada.




Cirurgia e resultados


Realizamos então uma abordagem por dupla via: começamos pela via de acesso anterior para a retirada de todo disco e a estabilização com próteses, conhecidas como ALIF (Anterior Lumbar Interbody Fusion). Em seguida, por via posterior, fizemos a descompressão, com retirada de todos os componentes que comprimem a medula. Por fim, fixamos a coluna com parafusos pediculares e estabilizamos com barras de cromo e cobalto. Este material é mais resistente do que o titânio, que utilizamos normalmente, específico para casos de alta demanda biomecânica.


Com oito dias de pós-operatório, a paciente já andava sem dificuldade, sem dor no nervo ciático e membros inferiores. A estimativa é que sua recuperação ocorra totalmente entre quatro a seis meses de pós-operatório.


Volto a refletir que, apesar da artrodese ser um procedimento agressivo, ainda mais quando realizado por dupla via, possui suas indicações. Nestes casos graves, apresenta excelentes resultados, tanto a curto quanto a longo prazo.





Abraço,

Dr. André Evaristo Marcondes

Atendimento presencial e à distancia

São Paulo, 21 de agosto de 2020

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