CASO CLÍNICO | Estabilização cervical híbrida

Tratamento para coluna cervical com artrodese e artroplastia


Um jovem paciente me procurou, recentemente, para diagnosticar e tratar as dores excruciantes que sentia diariamente na cabeça (cefaleia crônica), com irradiação para os membros superiores, em especial o direito, onde também experimentava episódios duradouros de parestesia (formigamento com alteração de sensibilidade) e transitórios de perda da força muscular, que indicava a gravidade da sua condição.


No diagnóstico, inicialmente já foi possível observar a inversão da lordose cervical (curvatura normal da coluna), que acontece quando os discos intervertebrais estão prejudicados, de modo a comprometer o alinhamento correto da coluna. Nos exames de imagem, identificamos a destruição quase total dos discos intervertebrais dos níveis de C4/C5, C5/C6 e C6/C7, que comprometia a manutenção da altura discal, a capacidade de absorção de carga e mobilidade destes segmentos. Na escala Pfirrmann, sua discopatia estava em nível IV, reforçando a gravidade da sua condição (esta classificação vai de I a V).


Observamos também volumosa e mais severa protusão discal no nível de C5/C6, como você pode observar na imagem 02, com compressão das raízes nervosas e da medula espinhal maior à direita. Para completar o quadro, o exame de eletroneuromiografia apontou positivo para radiculopatia, que é a lesão nos nervos devido à compressão destas estruturas.


Após este cuidadoso levantamento, chegamos à indicação absoluta de tratamento cirúrgico. É impossível não se compadecer diante de um quadro como este, com o acúmulo de tantos problemas e dores, sobretudo por ser um paciente tão jovem. Em casos como este, cabe ao médico especialista também apresentar um conjunto de soluções, para que o paciente saia satisfeito e sem qualquer dos problemas que apresentava no contato inicial.


Com esta “missão”, eu e minha equipe traçamos os objetivos: reconstruir o alinhamento cervical, devolver a altura discal, descomprimir a medula e raízes nervosas e estabilizar os segmentos afetados.


Estabilização híbrida


Realizamos, então, o que chamamos de “estabilização cervical híbrida”, que consistiu na descompressão, seguida de cirurgias de artrodese em C6/C7 (fusão das vértebras), que fornece base sólida de sustentação, associada à artroplastia nos níveis C4/C5 e C5/C6. Enquanto a artrodese concedeu estabilidade, a artroplastia cervical permitiu o realinhamento da coluna, a recuperação da altura discal e manutenção dos movimentos dessa região, que consideramos essencial para a evolução do paciente.



O resultado foi como o esperado: no pós-operatório o paciente evolui bem, já sem os episódios de cervicalgia (dor na coluna cervical) e braquialgia (dor no braço). As crises de cefaleia também sumiram, fato que deixou o paciente e a família muito satisfeitos.


É uma felicidade grande ter participado deste processo, sobretudo quando olho para trás e vejo o quanto foi desafiador, mas superamos com sucesso. Muito mais do que uma combinação de procedimentos, casos como estes são a verdadeira transformação na vida de alguém.


Agradeço ao paciente e família pela confiança no meu trabalho e à minha equipe, que me apoia e auxilia.


Abraços,

Dr. André Evaristo Marcondes

Atendimento presencial e à distância

São Paulo, 16 de abril de 2021