CASO CLÍNICO | Tratamento para escoliose

Tratamento para escoliose do adulto


O caso que compartilho hoje é extremamente interessante. Uma escoliose em que a paciente, com 27 anos, já era considerada de idade “avançada” para este procedimento, pois há tempos atingiu a maturidade esquelética.


Dessa forma, a abordagem para a correção de uma deformidade como esta (que você observa nas imagens), torna-se um verdadeiro desafio.


Quando atendi a paciente, a evolução da sua escoliose marcava 49 graus no ângulo de “Cobb” (ferramenta de medição de certos tipos de escoliose) como é possível constatar nas imagens de raio-X frontal. Já nas imagens de flexões laterais direita e esquerda, confirmamos a deformidade rígida do tronco.


Em seu histórico, havia sido documentada a progressão contínua da deformidade durante acompanhamento médico ambulatorial, razão pela qual a paciente recebeu indicação absoluta para tratamento cirúrgico, com o objetivo de corrigir a escoliose, apesar da idade e condição de maturidade esquelética.



Em ocasiões como esta, gosto de refletir sobre o que o paciente vem enfrentando ao longo dos anos, assim como sobre o que eu posso fazer para contribuir na reversão do seu quadro. Acredito ser importante este olhar, para que possamos, cada vez mais, moldar as possibilidades de tratamento para cada paciente.


Um desafio como este poderia ter sido rejeitado, mas como poderíamos diante do sofrimento de tal evolução ao longo dos anos? Além do aspecto físico, que provavelmente afetava a sua autoestima, estava a dor e a limitação diária de todas as atividades que poderia realizar.


Após analisar cuidadosamente todos os aspectos, eu e minha equipe optamos por realizar múltiplas osteotomias (cortes ósseos) específicas para permitir mobilização da curva, com posterior fixação com parafuso pedicular e correção da deformidade através de manobras de redução, com a utilização de barras de cromo e cobalto (material mais rígido do que o titânio).


Como resultado, pelo desafio que tivemos, consideramos fantástica essa correção, tanto do ponto de vista biomecânico quanto estético.


A paciente segue satisfeita e se acostumando com o seu “novo corpo”.


Agradeço a oportunidade de colaborar de forma transformadora na vida de pacientes como esta. É uma imensa felicidade ver cada sorriso e a mudança acontecer em tempo real.


Se você sofre de escoliose, não desista de procurar a ajuda que precisa. Sempre há um jeito!


Abraços,


Dr. André Evaristo Marcondes

Atendimento presencial e à distância

São Paulo, 20 de Maio de 2021