CASO CLÍNICO: Neuroestimulação Medular após Artrodese

Entenda: tratamento médico completo, para a cura das doenças, começa na conversa, no levantamento do histórico de saúde, na avaliação dos sintomas, nas opções de intervenção e, igualmente importante, no acompanhamento da evolução.


Você sabe o que é neuroestimulação medular? É o implante de um chip, na coluna, para o controle da medula, por meio de impulsos elétricos.


Utilizamos esta opção em casos extremamente selecionados, após tentativas sem sucesso dos procedimentos convencionais para tratar: a dor crônica complexa, dor pélvica crônica, dor por angina (sensação de peso no peito) e síndrome pós-laminectomia, que é quando há persistência de dor na região da coluna lombar, apesar das abordagens cirúrgicas.


A neuroestimulação medular também pode ser utilizada para alterar o tônus muscular, melhorar espasmos e aliviar sintomas causados por doenças como: herpes zoster grave e casos de artrite reumatoide que não respondem a outros tipos de tratamentos.


No caso desta paciente, em especial, outro profissional e equipe realizaram uma artrodese, sua primeira cirurgia de coluna, há cerca de oito anos, para a fusão de um segmento. Infelizmente, a evolução não foi satisfatória e causou uma complicação conhecida como pseudoartrose (não consolidação óssea), associada à rápida degeneração de segmentos adjacentes à artrodese. Isso quer dizer que no nível de cima e de baixo de onde foi feita a artrodese, desenvolveram-se hérnias de disco.


Um triste caso, que resultou em sérios quadros de dor e impactos na qualidade de vida da paciente. Um disco degenerado perde a sua função de amortecer os movimentos, além da condição de hérnia, em que o núcleo vaza, causa irritação e compressão das raízes nervosas.


Intervenção para tratamento dos desgastes e das dores


Após a análise desta situação, identificamos a necessidade de uma nova intervenção cirúrgica, para realizar: ampla descompressão por via posterior e estabilização com parafusos pediculares de L3 a S1; mais descompressão por via anterior e colocação de cage ALIF (Anterior Lumbar Interbody Fusion) em L3/L4 e L5/S1, para devolver a estabilidade da coluna e realizar uma adequada descompressão de estruturas neurológicas.


Como resultado, a paciente evoluiu com uma melhora parcial do quadro álgico, tanto na coluna lombar quanto nos membros inferiores, tendo finalmente a patologia da coluna tratada. No entanto, persistiu um quadro de dor moderada na coluna lombar e membro inferior direito.

É importante analisar que um tratamento médico não acaba no procedimento cirúrgico, o acompanhamento da evolução é essencial para chegar à cura. Assim, observamos que a persistência da dor indicava situação grave e complexa, conhecida como síndrome regional complexa ou dor pós-laminectomia, ou seja, um quadro de dor crônica intratável e não mais decorrente da patologia da coluna, mas sim de um desequilíbrio neuronal, em que os neurônios passam a disparar impulsos dolorosos de maneira intermitente e contínua.


Essa dor seria suficiente para evoluir e continuar a impactar de forma absurda a qualidade de vida e o estado clínico da paciente. Em casos extremos como esses é que indicamos o tratamento com neuroestimulação medular, como mostra as imagens 01 e 02.


Inserimos o eletrodo na coluna torácica, entre T8, T9 e T10, para permitir a neuroestimulação e o controle importante da dor, por meio de estímulos elétricos fornecidos diretamente na medula. Já o gerador foi instalado na região lombar, como mostra as imagens 03 e 04, onde conseguimos observar a artrodese consolidada e a presença do gerador.


Vale destacar que toda estrutura da neuromodulação é interiorizada no paciente, ou seja, nenhum fio ou cabo fica para fora. A percepção do aparelho no corpo vai depender da sensibilidade de cada pessoa, a maioria dos pacientes não sente, outros sentem levemente.


Apesar de mostrar excelentes resultados, em termos de alívios de dores e sintomas álgicos, ressalto que essa técnica só é indicada para diagnósticos muito graves e, ainda assim, após cuidadosa análise do histórico de saúde de cada um.


No geral, fico feliz por ter adquirido o conhecimento necessário desta tecnologia, que julgo importante, para colaborar com o tratamento a paciente.


Abraço,


Dr. André Evaristo Marcondes

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Dr. André Evaristo Marcondes | RQE 54349 | CRM 121391