CASO CLÍNICO | Artrodese lombar extensa com parafusos canulados cimentados

Entenda como é realizada uma cirurgia de Artrodese lombar extensa com parafusos canulados cimentados por meio de um procedimento que realizei. Me acompanhe nesta leitura!


Artrodese, ou cirurgia para fusão das vértebras

Este caso se refere a um paciente de 79 anos, portador de osteoporose grave além de severa cardiopatia, vítima de queda da própria altura evoluindo com fratura patológica de L3 acarretando perda de altura do corpo vertebral de aproximadamente 50%, associado à fratura explosão de L4 (explosão do corpo vertebral) com compressão medular e radicular de leve intensidade. Somado a uma grave discopatia degenerativa L5-S1 (perda total de altura e função do disco L5-S1) acarretando compressão das raízes de L5 bilateral.

Entenda mais sobre este caso

Devido ao quadro cardíaco e a idade do paciente, foi feito tratamento conservador com colete por longos períodos por outra equipe, sem resultado satisfatório e sem consolidação da fratura, onde o paciente apresentou piora progressiva do quadro, tanto de dor lombar como de dor ciática. Atualmente, apresentava intensa instabilidade lombar, com queixas álgicas excruciantes e severos sintomas de instabilidade, inclusive apresentando perda de força muscular em membros inferiores e múltiplos episódios de incapacidade física por perda de força.



Realização do procedimento cirúrgico

Neste caso foi decidido por: abordagem cirúrgica exclusivamente por via posterior para a artrodese L2-S1 (fusão óssea) associado à monitorização eletroneuromiografia intraoperatória (monitorização da medula para avaliação das funções neurológicas), com auxílio de cimento ósseo para aumentar a resistência óssea permitindo a fixação com parafusos mesmo em osso tão osteoporótico quanto apresentado pelo paciente.

Como visto nas imagens acima, o procedimento foi um sucesso, com excelente cimentação e melhora importante da curvatura lombar, além de descompressão importante do segmento L4-L5-S1, acarretando melhora da força muscular no exame de eletroneuromiografia intra-operatória.

É importante ressaltar que o cimento ósseo não funciona como uma cola, mas como expansor e preenchedor de espaço, que preenche o espaço que deveria ser ocupado por osso e permite a fixação dos parafusos, sendo uma excelente saída para a fixação em pacientes osteoporóticos ou pacientes com péssima ou com má qualidade óssea.

Nesse perfil de paciente é importantíssimo tratamento da massa óssea no pós-operatório, podendo-se usar tipos variados de medicação, tanto por via oral quanto injetáveis, incluindo hormônios de última geração que estimulam a formação óssea e trazendo assim consolidação não só da fratura quanto da cirurgia de artrodese realizada.

Pós-operatório e recuperação

Paciente hoje com 5 dias de pós-operatório, deambulando (andando ou caminhando) sem dificuldade e com queixas álgicas mínimas e dentro do esperado para o procedimento. Apesar da gravidade e complexidade, tanto clínica quanto do quadro em questão, o procedimento foi um grande sucesso.

Agradeço primeiramente a Deus e, em seguida, a minha equipe que sempre me auxilia nestes procedimentos tão complexos e, sobretudo, ao paciente, por confiar em meu trabalho e por não desistir de obter o tratamento que merece.


Abraços,


Dr. André Evaristo Marcondes

Atendimento presencial e à distância

São Paulo, 11 de fevereiro de 2022